segunda-feira, 5 de maio de 2014

Surdocegueira e Deficiência Múltipla

Surdocegueira e Deficiência Múltipla
Segundo Lagati (1995), a surdocegueira é uma condição que apresenta outras dificuldades além daquelas causadas pela cegueira e pela surdez.
Para McInnes, a premissa básica é que a surdocegueira é uma deficiência única que requer uma abordagem específica para favorecer a pessoa com surdocegueira e um sistema para dar este suporte. Para este autor a aprendizagem das pessoas com surdocegueira se refere a indivíduos que demonstram dificuldade em observar, compreender e imitar o comportamento de outros indivíduos com os quais venha entrar em contato. Daí as técnicas “mãos sobre mão” ou “mão sob mão” são estratégias importantes de intervenção para estabelecer comunicação com a criança com surdocegueira.
Faz-se necessário incentivar e ensinar a pessoa com surdocegueira de como usar sua visão e audição residuais, assim como outros sentidos remanescentes, provendo informações sensoriais que suscitem a curiosidade. Por isso se torna indispensável a presença de uma pessoa para mediar e trazer estas informações de modo integral e coerente.
O ambiente para inserção da pessoa com surdocegueira deve ser planejado e organizado adequadamente favorecendo sua interação com pessoas e objetos. Portanto se uma comunicação efetiva não for estabelecida na infância, a pessoa ao crescer pode apresentar comportamento inadequado para se comunicar.
Segundo o Ministério da Educação e Cultura e a Secretaria de Educação Especial (MEC/SEESP), pessoas com deficiência múltipla são aquelas que “têm mais de uma deficiência associada. É uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social.” As características específicas apresentadas pelas pessoas com deficiência múltipla lançam desafios à escola e aos profissionais que com elas trabalham no tocante aos resultados ao longo do processo de inclusão. Por isso dois aspectos tornam-se relevantes: a comunicação e o posicionamento.
Quanto à comunicação, todas as interações de comunicação e atividades de aprendizagem devem respeitar a individualidade e a dignidade de cada estudante com deficiência múltipla. O mediador será responsável pela ampliação do conhecimento de mundo desse estudante, visando lhe proporcionar autonomia e independência.
Quanto ao posicionamento, é indispensável uma boa adequação postural. Trata-se de colocar o estudante com deficiência múltipla de maneira confortável em sala de aula comum a fim de que possa fazer uso de gestos ou movimentos com os quais estabeleça uma comunicação e desfrute das atividades propostas. O corpo é a realidade mais imediata do ser humano. A partir e por meio dele, o homem descobre o mundo e a si mesmo. Favorecer o desenvolvimento do esquema corporal da pessoa com surdocegueira ou com deficiência múltipla é de suma importância. Para todo e qualquer estudante, é necessário repensar a organização espacial da escola e da sala de aula, o que pressupõe a mobilidade dos estudantes com surdocegueira. Os espaços devem ser sinalizados em diferentes linguagens, nos quais os estudantes com surdocegueira devem ser estimulados a circular neles.
Os objetos de referência têm significados especiais com a função de substituir a palavra e, assim, podem representar pessoas, objetos, lugares, atividades ou conceitos associados a eles. Constituem recursos para a aprendizagem de estudantes com surdocegueira e deficiência múltipla: objetos de referência das atividades, caixas de antecipação, calendários e outros.
Enfim, é importante lembrar que a parceria família-escola para a organização das prioridades é imprescindível, pois um trabalho colaborativo e compartilhado favorecerá a aprendizagem dos estudantes com surdocegueira e deficiência múltipla.




Fonte: Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 5: Surdocegueira e Deficiência Múltipla.  





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