Surdocegueira e Deficiência Múltipla
Segundo
Lagati (1995), a surdocegueira é uma condição que apresenta outras dificuldades
além daquelas causadas pela cegueira e pela surdez.
Para
McInnes, a premissa básica é que a surdocegueira é uma deficiência única que
requer uma abordagem específica para favorecer a pessoa com surdocegueira e um
sistema para dar este suporte. Para este autor a aprendizagem das pessoas com
surdocegueira se refere a indivíduos que demonstram dificuldade em observar,
compreender e imitar o comportamento de outros indivíduos com os quais venha
entrar em contato. Daí as técnicas “mãos sobre mão” ou “mão sob mão” são
estratégias importantes de intervenção para estabelecer comunicação com a
criança com surdocegueira.
Faz-se
necessário incentivar e ensinar a pessoa com surdocegueira de como usar sua
visão e audição residuais, assim como outros sentidos remanescentes, provendo
informações sensoriais que suscitem a curiosidade. Por isso se torna
indispensável a presença de uma pessoa para mediar e trazer estas informações
de modo integral e coerente.
O
ambiente para inserção da pessoa com surdocegueira deve ser planejado e
organizado adequadamente favorecendo sua interação com pessoas e objetos.
Portanto se uma comunicação efetiva não for estabelecida na infância, a pessoa
ao crescer pode apresentar comportamento inadequado para se comunicar.
Segundo
o Ministério da Educação e Cultura e a Secretaria de Educação Especial
(MEC/SEESP), pessoas com deficiência múltipla são aquelas que “têm mais de uma
deficiência associada. É uma condição heterogênea que identifica diferentes
grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam,
mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento
social.” As características específicas apresentadas pelas pessoas com
deficiência múltipla lançam desafios à escola e aos profissionais que com elas
trabalham no tocante aos resultados ao longo do processo de inclusão. Por isso
dois aspectos tornam-se relevantes: a comunicação e o posicionamento.
Quanto
à comunicação, todas as interações de comunicação e atividades de aprendizagem
devem respeitar a individualidade e a dignidade de cada estudante com
deficiência múltipla. O mediador será responsável pela ampliação do
conhecimento de mundo desse estudante, visando lhe proporcionar autonomia e
independência.
Quanto
ao posicionamento, é indispensável uma boa adequação postural. Trata-se de
colocar o estudante com deficiência múltipla de maneira confortável em sala de
aula comum a fim de que possa fazer uso de gestos ou movimentos com os quais
estabeleça uma comunicação e desfrute das atividades propostas. O corpo é a
realidade mais imediata do ser humano. A partir e por meio dele, o homem
descobre o mundo e a si mesmo. Favorecer o desenvolvimento do esquema corporal
da pessoa com surdocegueira ou com deficiência múltipla é de suma importância.
Para todo e qualquer estudante, é necessário repensar a organização espacial da
escola e da sala de aula, o que pressupõe a mobilidade dos estudantes com
surdocegueira. Os espaços devem ser sinalizados em diferentes linguagens, nos
quais os estudantes com surdocegueira devem ser estimulados a circular neles.
Os
objetos de referência têm significados especiais com a função de substituir a
palavra e, assim, podem representar pessoas, objetos, lugares, atividades ou
conceitos associados a eles. Constituem recursos para a aprendizagem de
estudantes com surdocegueira e deficiência múltipla: objetos de referência das
atividades, caixas de antecipação, calendários e outros.
Enfim,
é importante lembrar que a parceria família-escola para a organização das
prioridades é imprescindível, pois um trabalho colaborativo e compartilhado
favorecerá a aprendizagem dos estudantes com surdocegueira e deficiência
múltipla.
Fonte:
Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar
- Fascículo 5: Surdocegueira e Deficiência Múltipla.